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Usucapião: quais fatores interrompem ou impedem o processo?

A usucapião é uma forma legítima de adquirir a propriedade de um bem, amplamente utilizada no Brasil, principalmente em casos onde uma pessoa ocupa um imóvel ou bem móvel por muitos anos sem ter formalizado essa posse por meio de escritura ou registro. Trata-se de um instrumento que visa garantir o direito à propriedade para quem exerce a posse de forma contínua, pacífica e com a intenção de dono. No entanto, o que nem todos sabem é que, apesar de sua legitimidade, a usucapião pode ser anulada em determinadas situações.

Sim, é possível anular a usucapião quando se verifica que algum dos requisitos legais não foi cumprido ou quando o processo apresenta vícios que comprometem sua validade. Isso pode ocorrer, por exemplo, se o imóvel for um bem público — já que bens públicos são imprescritíveis — ou se houver prova de que a posse não foi pacífica ou contínua. Outras razões que podem levar à anulação envolvem a existência de má-fé, como a tentativa de ocultar a verdadeira natureza da posse, fraudes documentais ou ausência de citação de pessoas que deveriam ter sido notificadas, como herdeiros do proprietário anterior.

Essas situações demonstram que a usucapião não é um processo automático, e muito menos infalível. A anulação pode ser pleiteada por quem se sentir prejudicado, seja por meio de ações judiciais específicas, como a ação rescisória, seja por argumentos processuais que comprovem a nulidade do ato. Assim, tanto quem busca a usucapião quanto quem deseja contestá-la deve estar atento aos detalhes legais que cercam esse tipo de aquisição da propriedade, pois o não cumprimento rigoroso da lei pode levar à perda ou reversão do direito pretendido.

O que é usucapião?

A usucapião é um instituto jurídico que permite a aquisição da propriedade de bens móveis ou imóveis por meio da posse prolongada, contínua, pacífica, com ânimo de dono e sem oposição. Ou seja, se uma pessoa ocupa um imóvel como se fosse proprietário por certo tempo — e respeitando as condições legais —, ela pode se tornar, de fato e de direito, dona desse bem.

Existem diversas modalidades de usucapião, cada uma com requisitos específicos, como a usucapião extraordinária, ordinária, especial urbana, especial rural, familiar, coletiva, e também a usucapião de bens móveis.

O prazo para aquisição varia de acordo com a modalidade, podendo ser de 2, 5, 10 ou 15 anos, dependendo da situação e da boa-fé do possuidor.

O que pode anular o usucapião?

Embora a usucapião seja uma forma legal de se adquirir a propriedade, há diversas situações em que ela pode ser anulada. Abaixo, explicamos os principais motivos que podem levar à anulação de um processo de usucapião, seja ele judicial ou extrajudicial.

Ausência de requisitos legais

Para que a usucapião seja válida, é essencial que estejam presentes todos os requisitos legais, que incluem:

  • Posse mansa, pacífica e ininterrupta;
  • Posse com animus domini, ou seja, com a intenção de dono;
  • Prazo mínimo de posse estabelecido por lei, conforme a modalidade.

Se o possuidor não comprovar qualquer um desses elementos, a usucapião pode ser anulada. Por exemplo, se a posse tiver sido exercida de maneira violenta, clandestina ou precária, ela não poderá ser convertida em propriedade por usucapião.

Má-fé e fraude

Outro fator que anula a usucapião é a presença de má-fé ou fraude. Isso ocorre quando o possuidor tenta obter a propriedade do bem de forma fraudulenta, como:

  • Apresentação de documentos falsificados;
  • Omissão de informações relevantes, como disputas judiciais em andamento;
  • Testemunhas instruídas para mentir;
  • Ocultação de que o bem pertence ao poder público.

Quando há má-fé comprovada, o processo de usucapião pode ser anulado a qualquer tempo.

Vícios no procedimento

A forma como o processo é conduzido pode, por si só, levar à nulidade. Isso se aplica tanto na via judicial quanto na extrajudicial. Alguns exemplos comuns:

  • Falta de citação dos proprietários, confrontantes ou herdeiros do proprietário anterior;
  • Inexistência de documentação mínima exigida, como ata notarial na via extrajudicial;
  • Irregularidades na planta ou memorial descritivo do imóvel.

A jurisprudência brasileira tem decisões firmes que consideram a ausência de citação dos herdeiros do proprietário falecido como motivo de nulidade absoluta.

Bens públicos

Bens públicos não podem ser adquiridos por usucapião. Isso porque, segundo a Constituição Federal, os bens públicos são inalienáveis e imprescritíveis. Portanto, qualquer tentativa de usucapir um bem pertencente à União, aos Estados ou aos Municípios será nula de pleno direito.

O que interrompe o usucapião?

A posse deve ser contínua e ininterrupta para que gere o direito à usucapião. Se houver qualquer quebra nessa continuidade, o prazo precisa recomeçar. Vejamos as principais situações que interrompem o prazo de usucapião:

Perda da posse

Se o possuidor deixar o bem, mesmo que temporariamente, e perder o poder sobre ele, a contagem do tempo é interrompida. Exemplo: se o imóvel for retomado pelo proprietário ou se outra pessoa passar a exercer a posse.

Contestação do proprietário

Se, durante o período da posse, o legítimo proprietário ingressar com uma ação judicial — como ação de reintegração de posse ou interdito proibitório —, a usucapião é interrompida. A contestação formal, por si só, já impede a continuidade do prazo.

Reconhecimento de posse precária

A posse que decorre de comodatário, locatário ou usufrutuário é considerada precária, pois existe uma relação jurídica que reconhece a titularidade de outro. Nesses casos, a contagem para a usucapião não se inicia ou é interrompida.

O que pode impedir o processo de usucapião?

Algumas situações específicas impedem o início ou a continuidade de um processo de usucapião. É importante conhecer essas limitações antes de iniciar qualquer procedimento.

Relações pessoais que impedem a usucapião

A legislação impede a usucapião em determinadas relações familiares e jurídicas, tais como:

  • Entre cônjuges, enquanto vigente o casamento e sobre bens comuns.
  • Entre ascendentes e descendentes, durante o exercício do poder familiar.
  • Entre tutores/curadores e seus tutelados/curatelados, durante a vigência da tutela ou curatela.

Condições suspensivas

A contagem do prazo da usucapião pode ser suspensa em casos como:

  • Ausência do proprietário do país, em missão oficial;
  • Presença de cláusulas contratuais que impeçam a aquisição;
  • Casos de posse exercida sobre imóveis com pendências judiciais.

O que invalida a usucapião?

A usucapião pode ser invalidada judicialmente quando se constata que houve algum erro material, jurídico ou processual. As principais causas de invalidação são:

  • Falta de citação de pessoas com interesse direto, como os herdeiros do antigo proprietário.
  • Posse não exclusiva, em que há disputa ou oposição entre co-possuidores.
  • Ausência de provas robustas, como testemunhas confiáveis, comprovantes de pagamento de tributos e de manutenção do imóvel.

Quando comprovadas essas falhas, a sentença que reconhece a usucapião pode ser revista e anulada.

Como posso anular a usucapião?

Se você foi prejudicado por uma sentença de usucapião ou acredita que ela foi concedida de maneira irregular, é possível anular o processo judicialmente. Para isso, existem meios jurídicos específicos.

Ação rescisória

Esta ação visa rescindir uma sentença que já transitou em julgado, ou seja, que não cabe mais recurso ordinário. Deve ser proposta no prazo de dois anos após a decisão final e exige provas claras de que houve erro de fato, dolo ou vício grave no processo.

Ação anulatória

Pode ser utilizada quando o processo ainda não transitou em julgado ou quando há nulidades evidentes, como ausência de citação ou vício formal grave.

Ambas as ações devem ser propostas por pessoas que tenham interesse legítimo, como o antigo proprietário, herdeiros ou terceiros prejudicados.

Quando se perde o direito à usucapião?

Mesmo que a posse tenha sido exercida por longos anos, há casos em que a pessoa perde o direito de usucapir o bem:

  • Quando a posse é interrompida ou há abandono do imóvel.
  • Quando há contestação formal por parte do proprietário.
  • Quando se descobre que o bem é público.
  • Quando se comprova que a posse foi exercida com má-fé ou em nome de outra pessoa (como comodatário ou locatário).

Pontos importantes sobre usucapião

A usucapião é um importante instrumento jurídico que visa dar segurança à posse prolongada e pacífica de bens que, por motivos diversos, não foram formalizados. No entanto, como todo instituto legal, ela possui limites claros. Saber o que anula a usucapião, bem como entender as formas de impedir ou interromper esse processo, é fundamental para proteger o direito de propriedade e garantir que ele seja exercido de forma justa.

Se você está diante de um processo de usucapião ou deseja contestar um pedido já feito, procure sempre orientação jurídica especializada. Somente um profissional com conhecimento na área poderá avaliar o seu caso e tomar as medidas necessárias para defender os seus direitos.

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