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autuacao-fiscal: mulher com papel na mão e semblante de espanto

O que é uma autuação fiscal e como evitar esse problema?

A autuação fiscal é um procedimento formal realizado pelos órgãos de fiscalização tributária (como a Receita Federal) quando identificam que uma empresa descumpriu alguma obrigação tributária. Essa irregularidade ocorre em função de erros ou omissões relacionadas aos deveres tributários, como a falta de pagamento ou a cobrança indevida de impostos.

Neste artigo, vamos explicar de forma clara e objetiva tudo o que você precisa saber sobre o tema, desde o seu conceito até as melhores práticas para evitar esse tipo de ocorrência no seu negócio.

Diferença entre autuação e fiscalização

A fiscalização tributária é o processo por meio do qual os órgãos fiscais, como a Receita Federal e as Secretarias de Fazenda, analisam se uma empresa está cumprindo corretamente suas obrigações legais. Essa verificação pode ser feita presencialmente, por meio da análise de documentos ou de forma eletrônica, com o cruzamento automatizado de dados. 

Já a autuação fiscal é o desdobramento da fiscalização quando são encontradas irregularidades. Nesse caso, o Fisco emite um Auto de Infração, cobrando os tributos que deixaram de ser pagos, além de aplicar multas e juros. Em outras palavras: toda autuação nasce de uma fiscalização, mas nem toda fiscalização resulta em autuação — isso só acontece quando há, de fato, descumprimento da legislação tributária.

Principais motivos de autuação fiscal

Embora a autuação fiscal possa parecer algo distante para muitos empresários, ela pode ocorrer por motivos comuns na rotina de uma empresa. Veja abaixo os principais erros que costumam levar à emissão de um auto de infração:

🚨 Omissão de receitas: ocorre quando a empresa deixa de declarar parte do seu faturamento, intencionalmente ou por erro, o que levanta suspeitas de sonegação fiscal. Esse é um dos motivos mais frequentes de autuação.

🚨 Erros em obrigações acessórias: falhas no preenchimento ou envio de declarações como SPED, DCTF, ECF, EFD-Contribuições, entre outras, podem gerar inconsistências e chamar a atenção do Fisco.

🚨 Classificação incorreta de produtos (NCM/CFOP): utilizar códigos errados nas notas fiscais pode impactar diretamente no cálculo de impostos e levar à cobrança indevida ou à perda de benefícios fiscais.

🚨 Créditos tributários indevidos: muitas empresas são autuadas por aproveitar créditos de tributos que não são permitidos pela legislação ou que não foram devidamente comprovados.

🚨 Não recolhimento ou recolhimento a menor de tributos: deixar de pagar impostos ou calcular alíquotas incorretamente, ainda que sem má-fé, gera passivo e é motivo de autuação.

🚨 Uso irregular de benefícios fiscais: incentivos como isenções e reduções de alíquota devem ser utilizados com atenção às regras específicas. Qualquer uso inadequado pode ser considerado infração.

🚨 Incompatibilidade entre notas fiscais, contabilidade e extratos bancários: o cruzamento de dados digitais tem permitido ao Fisco detectar facilmente divergências entre as informações declaradas e a movimentação real da empresa.

Quais os impactos de uma autuação fiscal?

Receber uma autuação fiscal pode gerar consequências sérias para a empresa — tanto no aspecto financeiro quanto na reputação e na continuidade das operações. Confira os principais impactos:

  • Multas e juros: um dos efeitos imediatos da autuação é a cobrança de multas, que podem variar de acordo com o tipo de infração e sua gravidade. Em alguns casos, a multa pode ultrapassar 75% do valor do tributo devido, acrescida de juros calculados com base na taxa Selic, gerando um passivo significativo.
  • Restrição de crédito e reputação no mercado: empresas com autuações em aberto ou dívidas fiscais ativas podem ter dificuldade para obter financiamentos, participar de licitações ou firmar parcerias comerciais. A imagem da empresa também pode ser comprometida perante fornecedores, clientes e investidores.
  • Abertura de processo administrativo fiscal: com a autuação, inicia-se um processo formal no qual a empresa poderá apresentar defesa. Esse processo demanda tempo, envolvimento técnico e, muitas vezes, assessoria jurídica especializada.
  • Risco de execuções fiscais e bloqueios judiciais: caso os valores autuados não sejam pagos ou parcelados, e a defesa seja indeferida, o débito pode ser inscrito em dívida ativa, gerando ações de execução fiscal. Isso pode resultar em penhora de bens, bloqueio de contas bancárias e outras medidas judiciais.
  • Comprometimento da saúde financeira da empresa: além das sanções diretas, a autuação pode desequilibrar o fluxo de caixa, forçar cortes em investimentos ou operações e até colocar em risco a continuidade do negócio, especialmente em empresas de pequeno e médio porte.

A autuação fiscal pode comprometer toda a estrutura e reputação do negócio. Por isso, prevenir é sempre a melhor estratégia. 

O que acontece após uma autuação fiscal?

Ao receber uma autuação fiscal, o contribuinte pode:

  • Pagar o valor devido, com possibilidade de redução de multa e juros, conforme o prazo;
  • Apresentar defesa administrativa, no prazo previsto (geralmente de 20 a 30 dias), por meio de impugnação no processo tributário administrativo.

Caso a defesa não seja aceita, o contribuinte ainda pode recorrer a instâncias superiores, como o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) ou até a via judicial.

Autuação fiscal e Reforma Tributária: o que muda?

Com a aprovação da Reforma Tributária, o sistema tributário brasileiro passará por uma transformação significativa nos próximos anos — e isso também terá reflexos na forma como ocorrem as autuações fiscais.

Confira os principais pontos de atenção:

  • Novos tributos: CBS e IBS
    A substituição de tributos como PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS pelos novos CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) traz a promessa de um sistema mais simples e menos cumulativo. No entanto, essa mudança exigirá uma nova estrutura de controle fiscal por parte das empresas. A correta apuração desses tributos será fundamental para evitar autuações — principalmente durante o período de transição (2026 a 2033), quando regras antigas e novas ainda conviverão.
  • Mais digitalização e transparência
    A Reforma também reforça o uso de tecnologias e plataformas unificadas, com cruzamento de dados em tempo real, o que deve aumentar a capacidade de fiscalização dos órgãos públicos. Ou seja, será cada vez mais difícil cometer erros sem ser identificado. A digitalização promete facilitar a vida de quem cumpre as regras, mas aumenta os riscos para quem comete deslizes — intencionais ou não.
  • Simplificação: ajuda ou complica?
    A simplificação tributária, em tese, reduz o número de obrigações acessórias e facilita o entendimento das regras. Porém, durante os primeiros anos de adaptação, é possível que haja dúvidas operacionais, interpretações conflitantes e erros de aplicação das novas alíquotas, o que pode gerar autuações acidentais. Além disso, o fisco estará atento a possíveis distorções e abusos nesse novo modelo.

Exemplo prático de autuação fiscal: Empresa fictícia “Loja Sol & Mar Ltda.”

Segmento: Comércio varejista de roupas de praia
Porte: Médio (lucro presumido)

Situação que levou à autuação

Durante uma fiscalização eletrônica realizada pela Receita Federal, foi identificado que a empresa apresentava diferenças significativas entre os valores declarados no SPED Fiscal e os valores de entrada e saída registrados nas notas fiscais eletrônicas (NF-e) emitidas no mesmo período.

Além disso, o Fisco percebeu:

  • Utilização incorreta do código NCM em alguns produtos, classificando biquínis como “acessórios de vestuário”, o que impactou o cálculo do PIS/Cofins.
  • Crédito indevido de ICMS sobre uma operação de compra interestadual que não gerava direito ao crédito (produto com isenção no estado de origem).
  • Falta de entrega da DCTF de dois meses consecutivos.

Consequência: autuação fiscal

A Receita emitiu um Auto de Infração cobrando:

  • R$ 78.000,00 em tributos não recolhidos
  • R$ 46.800,00 de multa de ofício (60% sobre o valor devido)
  • R$ 7.500,00 de multa por obrigação acessória (DCTF)
  • R$ 12.300,00 de juros calculados com base na Selic
    ➡️ Total da autuação: R$ 144.600,00

Erros cometidos

  1. Falta de conciliação fiscal e contábil: A empresa não realizava a conferência periódica entre os valores declarados, notas emitidas e movimentação bancária.
  2. Classificação incorreta de NCM: A contadora utilizou um código antigo e desatualizado, sem checar se havia mudanças nas alíquotas.
  3. Aproveitamento indevido de crédito: A equipe tributária desconhecia as restrições do benefício fiscal interestadual.

Desorganização no envio das obrigações acessórias: Falta de controle interno sobre os prazos de envio das declarações obrigatórias.

Boas práticas para evitar autuações

  • Automatize processos fiscais sempre que possível.
  • Faça revisões periódicas de compliance tributário.
  • Invista em capacitação da equipe fiscal e contábil.
  • Use ferramentas de validação de SPED e cruzamento de dados.
  • Mantenha uma boa comunicação entre os setores contábil, fiscal e financeiro.
  • Considere auditorias preventivas ou assessoria externa.

Evite dores de cabeça com o Fisco!

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